sexta-feira, 24 de junho de 2011

Só saio daqui para melhor

"(...) Não consegui encontrar equilíbrios ... Aprendi a viver no caos e a tirar partido dele. (...) Muitas vezes invejei os casais felizes que via nos restaurantes ou na praia ou no jardim, muitas vezes me interroguei sobre o facto de não ter voltado a casar. Mas a cada pergunta - isto é, a cada momento vivido -, obtive sempre a mesma resposta: não tenho de me resignar a uma vida que me faça infeliz. Nem a uma paz podre sem saída. Nem à submissão a um estereótipo social. A partir do momento em que aprendi a estar comigo, e a gostar de estar comigo, o patamar de exigência só subiu: só saio daqui para melhor. Para muito melhor. E foi como se tirasse o pipo a uma bóia- a pressão baixou, o ar começou a circular livremente, e eu deixei de ser ingénuo quando vejo uma família aparentemente feliz num almoço de domingo. (...) A única diferença são os anos passados. O que vivi. O que resulta de ter aprendido a diferença entre 'ser sozinho' e 'estar sozinho'. Ou a diferença entre ter companhia e partilhar a vida. (...) O que quer isso dizer? Algo tão simples que parece tolo, mas talvez devesse ser o começo de qualquer reflexão: somos nós que fazemos a nossa vida."

texto: Pedro Rolo Duarte
Ilustração: by myself

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